CORPORALIDADE E MITOLOGIA INDÍGENA

AULA-ESPETÁCULO
No trabalho com as histórias indígenas optei por trabalhar com a corporalidade para a narração.
De algum modo, segui o trabalho que Eugênio Barba propõe na Antropologia Teatral- onde referências de uma cultura diferente trazem novos códigos para o corpo do ator, anulando aqueles já fixados e criando uma forte presença e teatralidade.
Após alguns anos apresentando este trabalho constatei que algumas imagens do espetáculo tinham enorme semelhança com algumas fotos de referência, usadas na construção do trabalho, e com outras que fui somando a meu acervo de imagens dos povos indígenas .
Resolvi partilhar estas imagens aqui. É importante dizer que nenhum dos fotógrafos  que registraram meu trabalho se inspiraram de algum modo nas imagens-referência que inspiraram o espetáculo ao fotografá-lo- o que torna mais incríveis semelhanças entre fotos como as feitas por Lídio Parente e Cláudia Andujar, por exemplo.
Chamo de  IMAGENS DE REFERÊNCIA aquelas que usei na construção de "Contos Indígenas". Fotos que repeti exaustivamente em meu corpo e que me auxiliaram a criar partituras corporais, repetidas em ordens diferentes; com energias, ritmos e qualidade de movimento distintos. Nomeio como IMAGENS CONSTRUÍDAS aquelas que surgiram cenicamente, descobertas ao longo dos ensaios.E as IMAGENS DE ACERVO são aquelas que uso nas oficinas e as que guardo para pesquisas futuras.
Esta pesquisa sobre corporalidade eu desenvolvi com com André Masseno- preparador corporal e diretor do espetáculo.
Hoje, 10 anos após a primeira apresentação com as histórias indígenas, o trabalho amadureceu. A base do trabalho é a mesma desde o começo porém uso cada vez menos a pintura corporal, o figurino, o cenário e elementos indígenas.O trabalho se baseia cada vez mais na essência que parte da relação ator/palavra, ator/platéia, corpo/palavra,corpo/objeto, coporalidade/sonoridade.
Realizo uma AULA-ESPETÁCULO - onde faço uma reflexão sobre a construção deste trabalho,citando a realidade dos povos indígenas brasileiros, a escolha das adaptações dos mitos para o espetáculo, a influência da imagem e corporalidade na construção de "Contos Indígenas" e a experiência de criar conteúdos indígenas para a tv a partir de minha experiência com as narrativas.
Nesta aula também narro alguns mitos e respondo a perguntas do público.
Apresentei esta aula-espetáculo no Curso Livre do Museu do Folclore, no Rio de Janeiro- num dia onde as aulas abordavam o o tema: "Um corpo brasileiro"- e na Maison de la Parole,em Paris- no final de uma residência intitulada "O corpo que conta"".
Escrevi artigo sobre o tema "Corporalidade e mitologia indígena" para a Revista do Instituto de Performance da Universidade de Nova Iorque e no momento estou preparando o artigo "Contos Indígenas e a experiência de contar narrativas dos primeiros povos brasileiros" para o livro "Contadores de Histórias: um exercício para muitas vozes".

Abaixo fotos de IMAGENS DE REFERÊNCIA e IMAGENS CONSTRUÍDAS.